"Espiritismo não é a religião do futuro, mas o futuro das religiões". ...Leon Denis

"O espiritismo é toda uma ciência, é toda uma filosofia.Quem desejar conhece-lo seriamente deve pois, como primeira condição,submeter-se a um estudo sério e persuadir-se que mais do que qualquer outra ciência, não se pode aprendê-lo brincando" Allan Kardec

"Se a religião recusa caminhar com a ciência, a ciência avança sozinha."... (Allan Kardec)

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

BEZERRA DE MENEZES
Os médicos devem orientar as pessoas sobre a importância de cuidar do corpo e do espírito

Ser médium é participar de um processo que exige concatenação de ideias e reflexão permanente para entender e assimilar os princípios do Espiritismo e se comprometer em viver um contexto kardecista, assumindo uma postura de absoluta identidade com a Doutrina dos Espíritos.
Ser médico é saber contextualizar permanentemente a medicina no mundo e na história dos homens, pois é aí que se localizam a saúde, a doença e as várias formas de fazer medicina.
Ser médium não é somente frequentar centro espírita, achar (ou, pior ainda, aconselhar outros em nome do Espiritismo) que alguém fez mal a alguém, que alguém está “pagando” nesta encarnação por algo da encarnação passada, não diferenciar animismo de manifestação espírita, tudo dentro de um raciocínio simplista.
Ser médico não é enfatizar a doença em relação à saúde, nem fazer prescrição de medicamentos com base nos sintomas, nem dicotomizar conceitualmente “medicina tradicional” e “medicina alternativa”, uma vez que o que é alternativo para o Ocidente pode ser tradicional para o Oriente.
O médico-médium entende que saúde é um estado que deve ser conquistado a cada momento, um equilíbrio que se mantém por meio de esforço contínuo; entende também que é fundamental a participação ativa do doente (não paciente) no processo de cura, principalmente nas doenças crônicas; entende ainda que o doente – um ser humano holístico, não fragmentado em órgãos ou sistemas – deve ser tratado como um todo (corpo-mente-espírito).
O médico-médium precisa ter consciência do caráter essencialmente provisório de sua ciência, pois a compreensão não é obra da cultura nem do raciocínio, mas de um amadurecimento alcançado pela evolução espiritual. Deve entender que os espíritos se manifestam para trazer subsídios para se alcançar um mundo melhor, mais saudável, e não para fazer “curas milagrosas” e nem para satisfazer as necessidades e curiosidades dos encarnados.
No exercício do mediunato espírita o médico-médium não pode aumentar a dor no mundo, seja por não dominar seu pensamento, sua palavra, seus atos, sua prática, seja por não entender a interligação entre ciência médica, filosofia e religião.
Hoje em dia cuida-se muito das afecções chamadas “doenças do homem moderno”, tais como a pressão alta, arterioesclerose, osteoporose, infarto do miocárdio, derrame cerebral, Parkinson, Alzheimer, depressão, através de exames sofisticados e tratamentos especializados. Mas o número destes doentes aumenta continuamente. São respostas contra as agressões sofridas: alimentação com aditivos químicos, corantes, conservantes, hormônios; uso de álcool e drogas; sedentarismo; tabagismo ativo e passivo; poluição ambiental e mental.
Prevenir doenças sempre foi melhor do que tratá-las; não se pode mais imaginar que o corpo humano seja uma máquina que, quando avariada, o médico pode consertá-la independentemente do estilo de vida do doente.
A cura de uma doença nem sempre é possível, pois além de envolver uma complexa interação entre os aspectos físicos, mentais, sociais e ambientais da natureza humana, envolve a natureza espiritual (aura, perispírito, processo reencarnatório).
Saúde pressupõe educação, alimentação, transporte, moradia, trabalho, lazer, meio ambiente saneado, constituindo aquilo que se denomina “qualidade de vida”. Como “o mediunato não representa só poesia, 2/3 são prosa” (citação do espírito Leocádio José Correia*), para assumir a responsabilidade deste mediunato, o médico-médium precisa ter a coragem de se enfrentar, de se autoconhecer, de fazer a síntese entre o conhecimento adquirido na universidade e o conhecimento adquirido no centro espírita.
O centro espírita não é simplesmente um local onde os espíritos se manifestam, mas onde se fala do nascimento e do desencarne, portanto, um local onde se faz filosofia. Também é um lugar onde se faz ciência, quando se estudam as manifestações, o ectoplasma, a medicina espiritual. É um local onde se ensina a pensar e não o que pensar. É um local religioso, pois se fala de Deus, de Jesus, dos médiuns missionários, de forma racional e não dogmática.
O exercício do mediunato não tem preço, mas tem valor: o valor do conhecimento, o valor da fé racional, o valor da caridade, o valor de se doar, o valor de ajudar na promoção humana, enfim, o valor moral e espiritual de cada médium. Este exercício proporciona ao médico-médium, agente de saúde e capacitador por excelência, a oportunidade de se renovar para permitir sínteses mediúnicas que respondam às expectativas da população não sadia.
O mediunato exige do médium muita dedicação, muita pesquisa e estudo, leitura das obras espíritas e técnicas, com suas devidas contextualizações, momentos de reflexão e diálogo consigo mesmo, para que comece a ver um novo mundo, dentro de um paradigma no qual ciência, filosofia e religião possam estar unificadas pelo pensamento crítico.
O exercício do mediunato espírita não é uma questão de obediência, mas de consciência, pois ser médium é mudar comportamento.

Ruddy Facci
É médico especialista em Cirurgia Geral e Medicina do Trabalho e coordenador de grupos de estudos espíritas.

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